ABC DA BOLSA

Índice

  • QUATRO AVISOS ANTES DE COMEÇAR
  • DUAS PERGUNTAS:
  • - Se há risco de perder, porque investir em ações?
  • - Porque você mesmo vai investir seu dinheiro?
  • OBSERVAÇÕES CHAVE PARA O PEQUENO INVESTIDOR:

    QUATRO AVISOS ANTES DE COMEÇAR

    1) Se puder precisar de seu capital nos próximos 5 anos, não o invista em ações.

    2) Se não utilizar a técnica certa é possível que nem em 10 anos vá ter retorno.

    3) Se não for capaz de ver seu investimento cair em 50% sem se desesperar, também não invista em ações.

    4) Se não puder investir R$10.000 ao longo de um ano (em ações e renda fixa), por enquanto aplique seu capital, meio a meio, em um fundo de renda fixa (ou poupança) e um fundo de ações que reflita a composição do índice Bovespa.

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    DUAS PERGUNTAS

    Se há risco de perder, porque investir em ações?

    1) Tudo tem risco. Com a técnica certa, que para um investidor defensivo não é difícil de aprender, a chance de perder com uma carteira de investimentos, corretamente montada, que é mantida durante, vamos dizer, 5 anos, é pequena.

    2) Históricamente, em mercados desenvolvidos, investimento em ações tem oferecido um retorno significativamente maior - e maior proteção contra inflação - que investimento em renda fixa.

    Por que, em vez de entregar seu dinheiro para um fundo, você vai investi-lo?

    Porque você está interessado no mundo de empresas e ações e tem uma chance muito boa de conseguir melhor resultado que o fundo médio.

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    OBSERVAÇÕES CHAVE PARA O PEQUENO INVESTIDOR

    1) Enquanto qualquer novato, com um razoável volume de capital a sua disposição, consegue um rendimento igual ao mercado (representado, por exemplo, pelo índice Bovespa), a maioria dos fundos de ações não tem sido capaz deste feito. (Para não sermos injustos devemos reconhecer que se a grande parte do mercado fosse composta de fundos, uma metade deles teria, obrigatoriamente, resultados abaixo da média.)

    2) Como a primeira observação deixa claro, nem os especialistas conseguem fazer previsões precisas: o futuro, realmente, a Deus pertence.

    3) Uma combinação de renda fixa e ações produz um mistura ideal de rentabilidade e baixo risco. A menor volatilidade da renda fixa (sim, o valor, em certas aplicações pode cair!) compensa em parte a alta volatilidade da bolsa porque juros altos tendem a coexistir com ações em baixa, e vice versa. E enquanto ações oferecem uma certa proteção contra inflação, esta praga pode reduzir o rendimento real da renda fixa.

    4) A longo prazo, o desempenho de ações - se compradas a preços históricos médios - acompanha o desempenho dos lucros das empresas. Quer dizer: um investimento em ações é um investimento no setor produtivo da economia. Se, como esperamos, a economia do Brasil, a partir do novo milênio, voltar a crescer com vigor, as empresas e suas ações vão se beneficiar.

    5) Exceto em situações muito especiais, rigorosamente ninguém sabe o verdadeiro valor (ou valor "justo" ou "intrínseco") de uma ação. Teoricamente é o valor hoje de todos as receitas a serem embolsadas durante a vida da companhia pelo detentor do papel. Mas ninguém sabe nem o valor aproximado destas receitas porque depende da evolução de uma multiplicidade de variáveis. Na verdade o valor justo da ação terá uma ampla faixa de possíveis valores. Pior, o efeito é alavancado: uma pequena variação em determinadas variáveis produz uma grande variação na estimativa do valor justo da ação. É por isso que há grande volatilidade nos preços das ações. É também a razão porque se encontra com freqüência ações supervalorizadas ou subvalorizadas.

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    ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO

    Dois mundos de investimento em ações

    Há dois mundos de investimento em ações e um abismo entre eles. O primeiro é habitado por figuras excitantes e exóticas: growth companies (empresas de crescimento acelerado), turnarounds (empresas que passam de quase-falência para lucro), cíclicas (empresas cujas vendas e lucros seguem um ciclo), asset plays (empresas que têm ativos valiosos mas poucos sabem disso), etc. O segundo tem entes sem cor e meio chatos: margem de segurança, diversificação, longo prazo, risco.

    O primeiro mundo é o mundo do profissional (que não, por isso, necessariamente faz sucesso - pode ganhar bem administrando mal o dinheiro dos outros) que dedica 10 horas por dia a ele. Podemos também ser profissionais mas para isso temos que nos dedicar a este mundo em tempo integral. O segundo mundo é o mundo do amador inteligente que se interessa pelo mercado de ações. Aqui uma pessoa pode obter um rendimento bom ao longo dos anos dedicando, vamos dizer, uma noite por quinzena ao assunto. Este amador, utilizando técnicas simples, não terá muito dificuldade em ultrapassar a performance da média dos fundos.

    É claro que muitos não resistirão as emoções do dia a dia do mercado. Tudo bem, mas estes devem se conscientizar do risco envolvido e só aplicar uma parte pequena de seus recursos totais em operações mais especulativas.

    Benjamin Graham

    O pensamento do Benjamin Graham, um dos fundadores da análise moderna de valores mobiliários (e pai das técnicas de investimento em valor ou "value investment") permeia toda nossa abordagem. Nos casos da Carteira Defensiva e da Carteira Agressiva (suspensa) a ligação é direta: só modificamos suas estratégias quando a situação no Brasil ou limitações de dados assim exigem. Vamos relembrar as lições mais importantes do mestre de investimento em valor para o pequeno investidor:

    1. Para se garantir contra condições econômicas e financeiras adversas no futuro, divida seu capital entre ações e renda fixa da primeira linha: quando a bolsa se comportar mal a renda fixa, em geral, tem bom desempenho e vice versa.

    2. Para minimizar o risco de perda, diversifique-o entre um mínimo de 10 grandes empresas com boa posição financeira e bom comportamento passado.

    3. Para maximizar a possibilidade de lucro, assegure uma boa e quantificável margem de segurança entre o preço da ação e o valor da ação.

    4. No caso do investidor defensivo, se ele comprar suas ações a preços compatíveis com seus médias históricas, sua margem de segurança será garantida pela taxa normal de crescimento de suas empresas que, no longo prazo, se refletirá nos preços de suas ações.

    5. Para assegurar que o preço médio de suas compras não divirja muito dos preços médios históricos do mercado é necessário fazer compras espaçadas de valores iguais. Por exemplo: se planejar investir R$5.000 em ações anualmente (que supôe um valor igual aplicado em renda fixa), invista R$1.250 na mesma data a cada trimestre (ou R$2.500 a cada semestre). Idealmente, este procedimento seria mantido durante pelo menos 5 anos.

    6. O investidor agressivo pode tentar aumentar sua margem de segurança, e em conseqüência seus ganhos, através de uma estratégia de investir em empresas aparentemente subvalorizadas.

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