I - Resultados da Pesquisa
Descrição das Colunas:
CRESCIMENTO REAL DE LUCRO: taxa média anual de crescimento ao longo do período
II - Descrição da Pesquisa
Crescimento > 10% aa reais
Identificamos as empresas de nossa base de dados de 125 empresas que apresentam taxas consistentes de crescimento duradouro de lucro acima de 10% aa, em termos reais. Em seguida simulamos o retorno do investimento nessas empresas na hipótese de seu crescimento continuar inalterado no futuro.
Na simulação adotamos a premissa que crescimento do dividendo sempre acompanha crescimento do lucro. Isso permite a utilização da Fórmula de Gordon que define o retorno, com certas restrições, como a soma do yield de dividendo e o crescimento futuro do dividendo.
Indicador de potencial
Supondo a persistência do contexto operacional, consideramos o retorno calculado um indicador importante do potencial da empresa como forte gerador de lucro.
Uma taxa elevada de crescimento pode ser resultado tanto de lucros excepcionalmente altos no fim da série quanto de lucros excepcionalmente baixos nos anos iniciais. Embora procuremos minimizar tanto esses efeitos quanto comportamento cíclico, ainda existem destorções. É por isso que simplesmente listamos as empresas em ordem alfabética em vez de estabelecer um ranking.
Para tentar reduzir a possibilidade de termos captado um longo período de bom crescimento que antecipa um declínio, pesquisamos também desempenho recente. Assim apresentamos os resultados de dois períodos: os últimos 9 anos e os últimos 5 anos.
Apresentamos também o retorno sobre patrimônio líquido médio para todo o período pesquisado e a dívida líquida sobre patrimônio líquido no fim de 2009.
A Notas na Seção IV fornecem mais detalhes sobre a pesquisa e a fórmula usada.
III - Comentários sobre Resultados
Capital multiplicado por 4,4
Se os yields de 9 anos atrás não excedessem os yields atuais - uma suposição razoável - as ações da Tabela de 9 anos apresentariam retorno no investimento médio, ao longo do período analisado, de pelo menos 17,9% ao ano, em termos reais.
Caso os preços das ações simplesmente tenham acompanhado o aumento nos lucros, essa taxa significa que um investidor com carteira composta das empresas da tabela teria multiplicado seu capital pelo menos 4,4 vezes em 9 anos, em termos reais. Na prática os preços cresceram mais que o crescimento de lucro, muito mais em alguns casos.
Setor financeiro se destaca
O setor financeiro, mais uma vez, se destaca. Enquanto representa menos de 5% de nossa base de dados, constitui 44% da lista das maiores taxas de crescimentos de 9 anos, e 29% da lista de 5 anos.
Efeito passageiro de novo capital?
O lucro das empresas Drogasil, Cyrela Realty e Gafisa mudou de patamar após forte entrada de novo capital acionário nos últimos anos. Isso não invalida o crescimento mas levanta a suspeição que seja efeito passageiro.
Ciclicidade afasta velha vencedora
Para o estudo atual aperfeiçoamos nosso algoritmo de pesquisa. Ao levantar as empresas que mais cresceram ao longo dos dois períodos procuramos eliminar aquelas cujo crescimento de lucro aparentemente se deveu a efeitos cíclicos.
Deste modo, a Vale foi afastada da lista de 9 anos, e a Gerdau Met, vencedora do estudo anterior, excluída da lista de 5 anos. Pela mesma razão, tanto a Marcopolo quanto a Weg quase não alcançaram o critério de crescimento na segunda lista. Não muito mais tranquila é a presença da Localiza e da Petrobras nesta lista.
Novas campeãs são seis
Considerando presença nas duas listas como evidência de crescimento sustentado, e excluíndo - talvez injustamente - a Cyrela cujo crescimento recente foi impulsionado por forte entrada de novo capital, ficam seis empresas: Bradesco, Itaúsa, Itauunibanco, Porto Seguro, Saraiva e Weg. Porto Seguro e Saraiva são os novos membros do grupo de campeãs. A Saraiva também se beneficiou de novo capital acionário nos últimos anos mas em proporção muito menor que as outras empresas citadas.
O passado vai se repetir?
Quais são as chances do desempenho passado se repetir no futuro? Depende da persistência ou não das condições que favoreceram o crescimento histórico. Aqui pesam fatores como: a conjuntura econômica; espaço para crescimento; vigor empresarial; posição da concorrência; e agilidade (após certo tamanho a própria inércia dificulta a expansão).
Boas empresas excluídas
Várias boas empresas não entraram no estudo porque ainda não apresentam hístórico suficientemente longo de lucros em nossa base de dados. Exemplos são a Natura, que só aparece na lista das empresas que mais crescem dos últimos 3 anos, e a Ambev, que só consta da lista de 7 anos (listas não exibidas).
IV - Notas
Nota sobre a Fórmula
A fórmula, às vezes chamada da "Fórmula de Gordon", é válida somente se o yield de dividendo permanecer inalterado até a venda da ação. Parece uma limitação séria mas não é. Se, na data da venda, o yield for menor que o yield adotado na fórmula, isso significa que o retorno foi maior que inicialmente previsto. Em outras palavras, neste caso a fórmula estabelece um retorno mínimo.
Uma redução no yield prejudica o cálculo porque significa um retorno abaixo do previsto. Mas os acadêmicos nos asseguram que, ao longo de um período de 8-10 anos, são necessários desvios substanciais do yield de dividendo adotado para afetar seriamente o retorno previsto.
Notas sobre a Pesquisa
1. Só incluímos empresas que não apresentam nenhum ano de prejuízo durante o período pesquisado.
2. Para calcular o crescimento usamos as duas pontas das séries, calculando as médias dos lucros dos três primeiros e três últimos anos. Assim, para obter um período de 9 anos pesquisamos 12 anos e para obter um período de 5 anos pesquisamos 8 anos.
27/08/10
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