| SELEÇÃO DEFENSIVA DE GRAHAM |
| Bianual |
Falta matéria prima para carteira defensiva
I - As Seleções
II - Comentários
Plena valorização à vista
Como a Seleção Final contém somente quatro ações é evidente que não há matéria prima suficiente para montar uma carteira diversificada. Nossa decisão de aplicar, pela primeira vez, os critérios financeiros também agravou a posição.
Mas não consideramos o exercício infrutífero. Em nossa opinião pelo menos três das ações da Seleção Final (Confab, Itaúsa e Tran Paulista) são candidatos em potencial para uma carteira concentrada, merecendo análise mais detalhada.
A impossibilidade de montar uma carteira diversificada não deixa de projetar luz sobre a situação geral do mercado. Não existem sinais do perigo da bolsa estar, nas palavras de Graham, "claramente sobrevalorizada" neste momento. Por outro lado, não acreditamos - baseado no nível dos lucros de 2009 - que estamos muito distante da plena valorização.
Note que o cálculo do P/L das tabelas se baseia nos lucros de 2007, 2008 e os resultados anualizados dos primeiros 9 meses de 2009.
III - Objetivo e Metodologia
Receita para o Investidor Inteligente
A Seleção Defensiva de Graham é uma seleção das ações consideradas apropriadas para inclusão em uma carteira defensiva. A lista é resultado da filtragem de nossa base de dados de 150 empresas empregando um adaptação de critérios sugeridos por Benjamin Graham, "decano" de Value Investing", em seu livro O Investidor Inteligente.
Duas Seleções
Para abrir o leque de escolha, e mostrar o processo em operação, apresentamos duas seleções:
A Seleção Final admite somente as empresas preenchendo todas as condições.
A Seleção Preliminar flexibiliza as condições mas mantém o critério mais rigoroso: lucro contínuo e crescente ao longo dos últimos 11 anos. (Há empresas que não foram inclusas porque os dados que temos abrangem somente 10 anos ou menos.)
É importante observar que não devemos nos impressionar, necessariamente, com uma alta taxa de crescimento do lucro: pode ser simplesmente resultado de baixo lucro no início dos anos considerados.
Retorno superior das ações
Em termos gerais, os critérios são: liderança setorial; boa posição financeira; longa folha corrida de lucros e pagamento de dividendos; crescimento histórico de lucros; e ação relativamente barata. (O detalhamento destes critérios aparece abaixo.)
A proposta de Graham é que uma carteira diversificada de ações apresentando essas características, compradas a preços médios futuros, gerará para o pequeno investidor, com baixo risco, os retornos superiores oferecidos, historicamente, por ações sobre a renda fixa.
Para obter "preços médios futuros" é necessário investir, ao longo de pelo menos 5 anos, valores iguais a intervalos regulares - de um, três, seis ou 12 meses.
Seguro contra imprevistos
É essencial observar outro aspecto da concepção do Graham: a divisão do capital entre ações e renda fixa. Dos fundos totais disponíveis para investimento somente uma parcela de 25-75% deve ser aplicada na carteira de ações.
O saldo de 75-25% obrigatoriamente deve ser depositado em renda fixa "de boa qualidade" (idealmente garantida pelo governo). O componente da renda fixa constitui um seguro contra imprevistos e uma reserva para oportunidades excepcionais.
Detalhamento dos Critérios da Seleção Final:
1. Companhias proeminentes em seus setores.
2. Vendas anuais substanciais: acima de US$250 milhões.
3. Sólida posição financeira: Liquidez Corrente de pelo menos 1,00 e relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido máxima de 50%.
4. Estabilidade de lucro: lucro e dividendos contínuos durante 11 anos.
5. Crescimento de lucro: aumento de pelo menos 4% a.a. usando as médias dos 3 anos no início e no fim do período.
6. Preço/Lucro histórico moderado: o preço atual da ação, dividido pelo lucro médio dos últimos 3 anos (corrigidos pela inflação), não deve exceder 15x.
A recomendação básica de Graham é que o Lucro/Preço médio (o inverso do Preço/Lucro médio) da carteira seja pelo menos igual à taxa de juros oferecida por bônus de boa qualidade. Hoje a NTN-B de 10 anos oferece juros que se aproximam de 6,8% em termos reais que equivale um Lucro/Preço de 14,7x.
7. Preço/Patrimônio Líquido moderado: não deve ultrapassar 150%. Mas, seguindo Graham, aceitamos um Preço/Patrimônio Líquido maior de 150% (ou 1,5) se o produto de Preço/Patrimônio Líquido x Preço/Lucro é menos de 22,50.
Indicadores Apurados em Seleções Finais
16/11/09
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