| SELEÇÃO DEFENSIVA DE GRAHAM |
| Bianual |
Sem quórum para carteira defensiva
I - As Seleções
II - Comentários
Fras-Le e Ultrapar entram, Taurus sai
A Seleção Final continua sem oferecer número suficiente de ações para montar uma carteira defensiva. Embora a Seleção inclua duas novas empresas - Fras-Le e Ultrapar - houve a exclusão, por crescimento histórico excessivamente baixo, da Forjas Taurus.
A nova Seleção fornece algumas idéias para análise mais detalhada visando inclusão em uma carteira concentrada. A Petrobras e a Confab já foram objeto de estudos nossos deste tipo. Enquanto a primeira já faz parte da Carteira Concentrada de Buffet do site, a reinclusão da segunda só depende de condições de preço atraentes.
Possuímos também estudo parcial da Tran Paulista mas não temos opinião formada sobre a adequabilidade do papel como componente de uma carteira concentrada.
A tabela "Indicadores Apurados em Seleções Finais" no fim do texto mostra que as médias da nova Seleção Final não diferem muito das médias das Seleções anteriores. Ao olhar os parcos resultados de 10 anos de Seleções a conclusão é inevitável: exceto em circunstâncias excepcionais, nossa base de dados de 125 empresas é pequena demais para gerar uma diversificada carteira defensiva.
Material para carteira agressiva?
Enquanto a Marcopolo saiu da Seleção Preliminar, impulsionada pela força de um aumento de mais de 50% no preço de sua ação, houve a entrada de 10 novas empresas.
Observamos que 6 das empresas da Seleção Preliminar (Coelce, Cyrela Realty, Gafisa, Gerdau SA, Gerdau Met e Ind Romi) só não entraram na Seleção Final porque não atenderam aos critérios financeiros. Assim são candidatos potenciais - junto com as empresas da Seleção Final - a uma carteira diversificada de características mais agressivas. Apesar do nível de sua dívida líquida a Gerdau Met já faz parte da Carteira Concentrada de Buffet.
III - Objetivo e Metodologia
Receita para o Investidor Inteligente
A Seleção Defensiva de Graham é uma seleção das ações consideradas apropriadas para inclusão em uma carteira defensiva. A lista é resultado da filtragem de nossa base de dados de 125 empresas empregando uma adaptação de critérios sugeridos por Benjamin Graham, "decano" de Value Investing", em seu livro O Investidor Inteligente.
Duas Seleções
Para abrir o leque de escolha, e mostrar o processo em operação, apresentamos duas seleções:
A Seleção Final admite somente as empresas preenchendo todas as condições.
A Seleção Preliminar flexibiliza as condições mas mantém o critério mais rigoroso: lucro contínuo e crescente ao longo dos últimos 11 anos. (Há empresas que não foram inclusas porque os dados que temos abrangem somente 10 anos ou menos.)
É importante observar que não devemos nos impressionar, necessariamente, com uma alta taxa de crescimento do lucro: pode ser simplesmente resultado de lucro atipicamente baixo no início dos anos considerados.
Retorno superior das ações
Em termos gerais, os critérios são: liderança setorial; boa posição financeira; longa folha corrida de lucros e pagamento de dividendos; crescimento histórico de lucros; e ação relativamente barata. (O detalhamento destes critérios aparece abaixo.)
A proposta de Graham é que uma carteira diversificada de ações apresentando essas características, compradas a preços médios futuros, gerará para o pequeno investidor, com baixo risco, os retornos superiores oferecidos, historicamente, por ações sobre a renda fixa.
Para obter "preços médios futuros" é necessário investir, ao longo de pelo menos 5 anos, valores iguais a intervalos regulares - de um, três, seis ou 12 meses.
Seguro contra imprevistos
É essencial observar outro aspecto da concepção do Graham: a divisão do capital entre ações e renda fixa. Dos fundos totais disponíveis para investimento somente uma parcela de 25-75% deve ser aplicada na carteira de ações.
O saldo de 75-25% obrigatoriamente deve ser depositado em renda fixa "de boa qualidade" (idealmente garantida pelo governo). O componente da renda fixa constitui um seguro contra imprevistos e uma reserva para oportunidades excepcionais.
Detalhamento dos Critérios da Seleção Final:
1. Companhias proeminentes em seus setores.
2. Vendas anuais substanciais: acima de US$250 milhões.
3. Sólida posição financeira: Liquidez Corrente de pelo menos 1,00 e relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido máxima de 50%.
4. Estabilidade de lucro: lucro e dividendos contínuos durante 11 anos.
5. Crescimento de lucro: aumento de pelo menos 4% a.a. usando as médias dos 3 anos no início e no fim do período.
6. Preço/Lucro histórico moderado: o preço atual da ação, dividido pelo lucro médio dos últimos 3 anos (corrigidos pela inflação), não deve exceder 15x.
A recomendação básica de Graham é que o Lucro/Preço médio (o inverso do Preço/Lucro médio) da carteira seja pelo menos igual à taxa de juros oferecida por bônus de boa qualidade. Hoje a NTN-B de 10 anos oferece juros que se aproximam de 6,4% em termos reais que equivale a um Lucro/Preço de 15,6x.
7. Preço/Patrimônio Líquido moderado: não deve ultrapassar 150%. Mas, seguindo Graham, aceitamos um Preço/Patrimônio Líquido maior de 150% (ou 1,5) se o produto de Preço/Patrimônio Líquido x Preço/Lucro é menor que 22,50.
Indicadores Apurados em Seleções Finais
01/04/11
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